Páginas

A primeira viagem

Pude por um dia conduzir aquele carro bordeaux enorme. Sentei-me ao volante, olhei em volta para ler o mapa do carro e a bússula que me iria orientar.
Tudo estava no devido lugar: o volante, as mudanças, o banco, o rádio. Até o perfume que pairava no ar se tornava especial.
Num olhar súbito, constatei que não havia pedais. Uauuu.... o carro era automático. Desejosa de fazer aquele passeio com o meu avô, assim que fechamos as portas o carro começou a trabalhar. Curiosa pela condução e preocupada por transportar outra pessoa, decidi colocar os pés no volante. A condução era alternada: ora com as mãos ora com os pés no volante.
Experimentar a condução absorvia toda a atenção tal como a primeira vez que manuseei um tubo de ensaio para realizar uma experiência nas aulas ciências.
O Olhar do meu avô, as suas mãos pousadas sobre os joelhos, o sorriso eram tranquilizadores levando-me a pensar que tudo estava bem.
O silêncio que tocava no rádio e o perfume que pairava no ar fizeram-me desfrutar do momento.
No final da viagem, já em casa, partilhamos a experiência. Só aí percebi que esta viagem também fora especial para o meu avô.

(Escrito a 2 de Março de 2011)