Todas as despedidas são tristes,a incerteza do amanhã e depois de amanhã, a maior preocupação com o outro do que connosco próprios. Será possível? Do outro lado da linha a percepção será a mesma?
Os dedos escrevem mensagens, textos que não são enviados nem lidos, quem sabe um dia não revelam a vida oculta que hoje partilhas comigo. As histórias são bizarras, dignas de um filme de acção romântica. O fim da história não está definido. Amanhã logo se vê.
Enquanto te escuto percebo que sofrer por antecipação é mesmo sofrer, a maior parte das vezes é sofrer desnecessariamente, afinal as incertezas do próximo minuto, do próximo segundo permanecem e são mais fortes do que qualquer pensamento que possamos ter.
Todos gostamos de nos sentir escutados, por isso te escuto. Faz parte de mim. As páginas da tua história são mais importantes que as da minha, as prioridades da tua vida são mais importantes do que as da minha. Escuto-te sempre, mesmo quando me começo a convencer que já não necessitas dos meus ouvidos, do meu olhar de escuta atenta, dos meus lábios cerrados que aprisionam as palavras.
Nesse teu silêncio sei que me escutas, acredito que sim, convenço-me disso, sei que sim. As tuas capacidades telepáticas garantem-me que estás por perto, iludem o pensamento que vagueia, aparentemente perdido, por entre as nuvens que atravessamos juntos.
Os movimentos de rotação e translação afastam as nuvens da terra e do sol. Nesta época do ano, neste pólo sul, longa é a noite que se instala, curto é o dia que se mostra e nos presenteia com o mais largo dos seus sorrisos. Nos momentos em que a lua e o sol se cruzam, a luz fica encoberta, uma vez mais. Não se esconde por muito tempo, não consegue. O sol regressa, os ouvidos, a boca e o olhar ficam de novo despertos num novo sinal de dia, de vida e esperança do amanhã.