Por momentos regressamos à Terra do Nunca. Tudo é simples e as palavras proferidas puras.
Passamos a vida emersos em discursos ensaiados, conversas de circunstância onde todos nos querem ensinar "etiqueta e boas maneiras" sociais, as mesmas que nascem connosco e aguardam pelo momento certo para, num efeito surpreendente, se libertarem.
Foi assim:
Quando baloiçamos erguemos os braços ao céu para podermos voar e ser livres como a maior e mais pequena ave. Ao soltar os braços, inspiramos, sorrimos, os olhares brilharam, os rostos ficaram rosados, transpiramos alergria e liberdade. Com orientação podemos manter alguma conversação, convidar um amigo para almoçar, conhecer o seu prato perferido. Esparguete com almôndegas ou carne picada? Corremos, fizemos jogos de mímica, colocamos as regras e aceitamos as regras dos outros, ganhamos e perdemos sem lágrimas ou bater de pés. Fomos a correr despedir-nos. Queriamos mais.
O sol e o espaço livre uniram-se para nos proporcionarem a liberdade. O cenário ficou completo quando fomos surpreendidos com um beijo espontaneo, um abraço natural e uma vozita que nos sussurou ao ouvido "vou ter saudades tuas".