"Não há nada de nobre em sermos superiores ao próximo. A verdadeira nobreza consiste em sermos superiores ao que éramos antes" (Não recordo o autor)
I want to be a millionaire
Yesterday near a palace someone said "I want to be a millionaire"...
Suponho que não seja o único/a. Afinal que tipo de riqueza procuram as pessoas?
Conceito relativo!
Se a riqueza fosse dinheiro, poder-se-ia usufruir dele e do que o mundo tem para nos oferecer. Fazer uma viagem à volta do mundo, não necessariamente em 80 dias... seria muito pouco tempo para tanta beleza!
Se a riqueza fosse nas relações humanas, quiçá um dia se consiga... certamente depois de alguns (di)sabores e alguns pontapés!
Podemos para além desta última, manter a riqueza de espírito! Neste caso, tudo o que apraz dizer é "Viva a hora da parvalheira!" Nessa hora somos felizes! Usufruimos de uma pseudo-férias sem divãs, sem cadeiras ou mesas de consultório!
Mesmo que os bolsos não abundem em dinheiro, e as pessoas nos possam desiluir, sejam milionários, vivam a parvalheira e façam o favor de ser felizes!
Suponho que não seja o único/a. Afinal que tipo de riqueza procuram as pessoas?
Conceito relativo!
Se a riqueza fosse dinheiro, poder-se-ia usufruir dele e do que o mundo tem para nos oferecer. Fazer uma viagem à volta do mundo, não necessariamente em 80 dias... seria muito pouco tempo para tanta beleza!
Se a riqueza fosse nas relações humanas, quiçá um dia se consiga... certamente depois de alguns (di)sabores e alguns pontapés!
Podemos para além desta última, manter a riqueza de espírito! Neste caso, tudo o que apraz dizer é "Viva a hora da parvalheira!" Nessa hora somos felizes! Usufruimos de uma pseudo-férias sem divãs, sem cadeiras ou mesas de consultório!
Mesmo que os bolsos não abundem em dinheiro, e as pessoas nos possam desiluir, sejam milionários, vivam a parvalheira e façam o favor de ser felizes!
Eclipse
Todas as despedidas são tristes,a incerteza do amanhã e depois de amanhã, a maior preocupação com o outro do que connosco próprios. Será possível? Do outro lado da linha a percepção será a mesma?
Os dedos escrevem mensagens, textos que não são enviados nem lidos, quem sabe um dia não revelam a vida oculta que hoje partilhas comigo. As histórias são bizarras, dignas de um filme de acção romântica. O fim da história não está definido. Amanhã logo se vê.
Enquanto te escuto percebo que sofrer por antecipação é mesmo sofrer, a maior parte das vezes é sofrer desnecessariamente, afinal as incertezas do próximo minuto, do próximo segundo permanecem e são mais fortes do que qualquer pensamento que possamos ter.
Todos gostamos de nos sentir escutados, por isso te escuto. Faz parte de mim. As páginas da tua história são mais importantes que as da minha, as prioridades da tua vida são mais importantes do que as da minha. Escuto-te sempre, mesmo quando me começo a convencer que já não necessitas dos meus ouvidos, do meu olhar de escuta atenta, dos meus lábios cerrados que aprisionam as palavras.
Nesse teu silêncio sei que me escutas, acredito que sim, convenço-me disso, sei que sim. As tuas capacidades telepáticas garantem-me que estás por perto, iludem o pensamento que vagueia, aparentemente perdido, por entre as nuvens que atravessamos juntos.
Os movimentos de rotação e translação afastam as nuvens da terra e do sol. Nesta época do ano, neste pólo sul, longa é a noite que se instala, curto é o dia que se mostra e nos presenteia com o mais largo dos seus sorrisos. Nos momentos em que a lua e o sol se cruzam, a luz fica encoberta, uma vez mais. Não se esconde por muito tempo, não consegue. O sol regressa, os ouvidos, a boca e o olhar ficam de novo despertos num novo sinal de dia, de vida e esperança do amanhã.
Papel
Observas a minha caligrafia e pedes-me um papel.
Perguntas-me se te posso desenhar o alfabeto em minusculas e maiscúlas. Dás-me um papel e um lápis.
Deixe-te conduzir e segui as instruções que davas.
Na linha de baixo, quizeste escrever uma frase original. Lentamente, copiavas cada uma das letras da linha de cima e no final tinhas reproduzido a frase que te foi dirigida. Acrescentaste-lhe a emoção, que ficou marcada nas restantes linhas daquela primeira página.
Voltaste a página e, com o alfabeto à frente, começaste a escrever uma carta. Aproximava-se o dia da mãe, a tua mente estava focalizada nesse momento, há muito que aí tinha parado.
Começaste: "Mãe, gosto muito de ti. Eras especial. Tenho saudades tuas."
Não foi necessário incentivar-te a escrever o restante texto que desenhavas por entre erros, gralhas e uma grafia por vezes imperceptível. O lápis desenhava as letras com o sangue que ainda te corria nas veias e que clareava com as lágrimas que te molhavam o rosto. O olhar cabisbaixo e fixo no papel viajava até ao momento em que a tua mente tinha parado. Respeitei o teu silêncio, deixamo-lo desabrochar.
As poltronas em que nos sentavamos eram mais confortáveis do que as palavras que escrevias, mas nem nelas conseguimos encontrar conforto. As cortinas vermelhas das janelas daquele cubiculo pareciam dançar ao ritmo do vento que entrava pela janela em sinal de liberdade.
Continuaste a escrever. Deixei-te.
Quando terminaste, quiseste ler-me a tua história, aquele conto. Escutei-te atentamente e quando me pedias ajuda para ler as palavras que escreveras e não conseguias decifrar apenas te enumerava as letras para que pudesses ser tu a proferi-las.
No final, ergueste a cabeça, esboçaste um sorriso no olhar e um brilho nos lábios como nunca antes mostraras. Parecias livre. Confiaste-me o teu segredo, o mesmo que confiaste ao papel que não te atraçoará e que eternamente guardará.
Vou ter saudades tuas
Por momentos regressamos à Terra do Nunca. Tudo é simples e as palavras proferidas puras.
Passamos a vida emersos em discursos ensaiados, conversas de circunstância onde todos nos querem ensinar "etiqueta e boas maneiras" sociais, as mesmas que nascem connosco e aguardam pelo momento certo para, num efeito surpreendente, se libertarem.
Foi assim:
Quando baloiçamos erguemos os braços ao céu para podermos voar e ser livres como a maior e mais pequena ave. Ao soltar os braços, inspiramos, sorrimos, os olhares brilharam, os rostos ficaram rosados, transpiramos alergria e liberdade. Com orientação podemos manter alguma conversação, convidar um amigo para almoçar, conhecer o seu prato perferido. Esparguete com almôndegas ou carne picada? Corremos, fizemos jogos de mímica, colocamos as regras e aceitamos as regras dos outros, ganhamos e perdemos sem lágrimas ou bater de pés. Fomos a correr despedir-nos. Queriamos mais.
O sol e o espaço livre uniram-se para nos proporcionarem a liberdade. O cenário ficou completo quando fomos surpreendidos com um beijo espontaneo, um abraço natural e uma vozita que nos sussurou ao ouvido "vou ter saudades tuas".
Self e nós
O self. Os selves. Somos um. Temos vários.Construimo-nos e desconstruímo-nos. Viram-se páginas. O negro pode vir a ser branco passando pelos vários tons de verde, verde-esperança, da certeza de que de alguma forma todos os que passam por nós dão um nó na corda da nossa vida. Uma corda sem retorno, nuns momentos frágil e noutros extremamente resistente. Depois da fragilidade que venha a força. Assim se escrevem as histórias das vidas de todos nós. A minha, a tua. Por vezes, as cordas, os selves cruzam-se, entrelaçam-se em nós que não se desfazem, não se cortam, não se mudam mas reescrevem as nossas histórias. Nós seguidos de mais corda que busca outras cordas para dar novas laçadas e construir mais um self, mais um capítulo sem retorno que contribui para os selves.
Lápis de cor
O cheiro a lápis de cor, lápis de cera inundavam a sala.
Tapei o nariz e ordenei à minha mente que comandasse as minhas mãos e as pontas dos meus dedos para naquela gigante folha de papel fizesse uns rabiscos.
Rodei a folha várias vezes. Não sabia se a utilizava na horizontal ou na vertical.
Num precalço fiz um risco. Fiquei triste. Tinha manhchado a folha e não tinha outra.
Decidi voltar a página. Voltei a rodá-la várias vezes.
Peguei numa cor. Azul oceano.
Na horizontal pintei o mar.
A cor-de-laranja, vermelho, verde, castanho desenhei os peixes. Eram de todos os tamanhos, cores e feitios. Bilhavam. Estavam cuidados.
Reproduzi a falésia que tinha visto uma vez num livro que folheei.
No extremo da falésia desenhei o farol, guia dos barcos que do oceano se aproximavam.
No extremo da falésia desenhei o farol, guia dos barcos que do oceano se aproximavam.
Preenchi o fundo do oceano de branco, numa tentativa de aproximação à linha do horizonte. Os lápis de cera tinham a cor branca que eu queria utilizar.
Levemente, a cinzento, procurei representar uma montanha com neve. A mesma que um dia vi num outro desenho que alguém cuidadosamente fizera. No cimo da montanha rabisquei um menino, fazendo sky, deslizando para o oceano como se estivesse no aquaparque que agora anunciavam na TV.
Levemente, a cinzento, procurei representar uma montanha com neve. A mesma que um dia vi num outro desenho que alguém cuidadosamente fizera. No cimo da montanha rabisquei um menino, fazendo sky, deslizando para o oceano como se estivesse no aquaparque que agora anunciavam na TV.
Os homens e mulheres dos barcos, passeavam-se. Mergulhavam nas águas profundas do oceano para que o menino também se atirava no maior dos divertimentos.
O desenho tem destas magias, reproduzem os nossos pensamentos, libertam a alma de quem os faz e pinta com a milagrosa capacidade dos lápis de cor.
O baú...
O embrulho desfez-se, roido pelo tempo o papel já era amarelado e velho, quase ferrujento. Dentro estava um baú, fechado a sete chaves. Secretamente olhava-o, contemplava-o. Percorria os trilhos do imaginário das memórias guardadas e esquecidas procurando a chave e a fechadura. Voltou a observar. Continuava fechado. Ficou em perplexidade. «Como poderia alguém guardar um baú que não se consegue abrir».
O ar era preenchido de um perfume de rosas, numa mistura de chocolate e morangos que despertavam os sentidos do sono profundo e estagnado. Lentamente o olhar vislumbrava luz, uma luz azul muito clara que penetrava a pupila e a iris de quem admirava apenas aquele baú. Os ouvidos escutavam melodias simples, numa mistura de harpa e violino que se encontravam e desencontravam. O paladar despertava, deixando a boca inundada da água do desejo de saborear iguarias aromatizadas que despertavam o olfacto. As mãos tacteavam cuidadosamente o baú em busca da mais subtil fenda do acesso ao interior daquela caixa.
Exaustos de procurar e não encontrar, os sentidos acomodaram-se e cairam por entre velharias. O baú permaneceu seguro e atracado nas mãos firmes.
Anoiteceu. A claridade da lua cheia inundava de luz aquele local num cruzamento com a luz que era libertada do baú. Este encontro permitiu que o baú se abrisse. Abriu mesmo.
Fixou o olhar na caixa que brilhava numa alucinante viagem pelo ontem e pelo hoje. Pôde reencontrar e abraçar aquelas as pessoas e momentos residentes na memória humana e que pensava já haver apagado. Naquele instante percebeu-se que não era simples. O presente enchia o baú, passando a ser passado no mais leve pestanejar, por isso era visualizável.
Fixou o olhar na caixa que brilhava numa alucinante viagem pelo ontem e pelo hoje. Pôde reencontrar e abraçar aquelas as pessoas e momentos residentes na memória humana e que pensava já haver apagado. Naquele instante percebeu-se que não era simples. O presente enchia o baú, passando a ser passado no mais leve pestanejar, por isso era visualizável.
O nascer do sol emergiu e interrompeu as trocas de luz até então inexplicáveis. Estava a fechar-se de novo. A luz estava cada vez mais fraca.
Despertou com o sol. Olhou em volta. O baú estava permanecia pousado sobre as mãos. Já estava fechado. Tudo não passara de um sonho. Um sonho que abriu o baú. Ãquele onde poderia regressar sempre que desejasse, reencontrando as experiências sensoriais profundas que noutros momentos seriam negadas.
Ali se encontrava. Ali te encontrava. Ali vos encontrava.
Despertou com o sol. Olhou em volta. O baú estava permanecia pousado sobre as mãos. Já estava fechado. Tudo não passara de um sonho. Um sonho que abriu o baú. Ãquele onde poderia regressar sempre que desejasse, reencontrando as experiências sensoriais profundas que noutros momentos seriam negadas.
Ali se encontrava. Ali te encontrava. Ali vos encontrava.
Três tempos musicais: passado, presente e futuro
Muitas melodias tem apenas três tempos. Na pauta escrevem-se as notas e as pausas dando cor e vida às cinco linhas e aos quatro espaços. Tudo pronto para escutar esta partitura.
O estímulo para o concerto, assinalados com a clave de sol, é suficiente para captar os pormenores que se seguem. Até ao concerto evocam-se os ensaios, a experiência e sabedoria passadas, revivem-se emoções e momentos inexplicáveis e incomparáveis. Os lábios ficam humedecidos pela água que jorra da ansiedade, a mente é povoada de dúvidas, incertezas, inseguranças: como farei? serei capaz? como reagirá o companheiro deste dueto? sobre o público..... prefiro nem pensar. A madrugada é longa e de insónia, o travesseiro o melhor e mais fiel dos companheiros enquanto o pensamento teima em ocupar o lugar reservado pelo sono. A aurora é prematura, os arranjos finais são retocados e projectados num futuro em contagem decrescente percorrido ao som de notas de quatro tempos para se saborear aquele rebuçado de morango cujo odor e sabor adocicado se partilhará.
No segundo tempo, o arranjo recorre a notas de um e dois tempos, numa melodia rápida desprovida de pausas e acompanhada de um coreografia encenada e representada pelos próprios músicos. A respiração e o palpitar cardíaco ocupam o lugar do silêncio. As pausas ficam completas com a lenta, breve e articulada mudança de indumentária. O som e os ritmos iluminam um presente que se quer desembrulhar, tocar, explorar, conhecer e reconhecer, viver e reviver. Coordenam-se gestos e movimentos singelos que acompanham o ritmo que se entranha pelos poros descobertos e desprotegidos, e que se escutam na escura claridade do que não se deseja ver mas sentir. Era ali, naquele cenário, naquela sala acolhedora e em dueto que seria desejável pemanecer num tempo musical de pausa eterna vivida a um ritmo constante e coerente. A exaustão do momento diluia-se com o poder do mais breve, penetrante e invasivo olhar. Estavam reunidas as condições para a perfeição. Antes do final, sempre dificil e saudosista, vive-se o momento, revivem-se outros, olha-se em volta e aprumam-se os sentidos para captar todos os sinais e momentos da partitura.
Eis que, o tempo terreno invade e ataca, ecoando ruídos tocados a uma velocidade de dois tempos musicais sem pausas com poucas notas musicais que superavam a velocidade de qualquer milésimo de segundo. Permanecerá o reviver e a possibilidade de reensaiar mentalmente o ensaio-concerto partilhado. Agora o compasso acompanha o ritmo do abrir o fechar de olhos lubrificados e irrigados pelo rio da saudade sempre que se evoca esse e outros momentos, naquela e noutras salas de espectáculo sempre buscando um próximo ensaio-concerto em dueto.
O meu refúgio
Percursos civilizacionais, rasgos de betão ladrilhados por mão humana guiam o desnorte do silêncio, elevam o poder do pensamento, da ilusão, toda e qualquer imaginação; perturbam o azul vivo do verão, o verde vida da mais bela primavera; atravessam vales, montanhas e planícies acastanhadas e despidas do outono; no inverno vestem de branco transparente frio e gélido ofuscando os olhares dos transiundes que em veículos a motor, pedais ou simples animais perdem os pensamentos em plena ebulição.
(Escrito em 27 de Abril de 2011)
Dialogando
¾ Finalmente!
¾ Desculpa ¾ respondeu Ana, aproximando-se para beijar o namorado.
¾ Sempre atrasada. Estou a pensar oferecer-te um relógio com alarme programável à distância.
¾ Que ideia brilhante!
¾ Assim posso programá-lo ¾ ironiza.
¾ Aproveita e coloca também GPS e videovigilância…
¾ Com ligação directa ao youtube. ¾ interrompeu João.
¾ Tudo isto para haver controlo? Ou será ciúme?
¾ Humm…
¾ Como devo interpretar essa não resposta? ¾ retomou ela.
¾ Talvez ciúme por não poder estar contigo mais tempo ¾ disse enquanto a olhava e a acotovelou carinhosamente.
¾ Ai! Primeiro controlo e ciúme, agora violência? ¾ comentou arregalando os olhos para o intimidar.
¾ Olha! Está ali um polícia, queres ir apresentar queixa? Vamos lá, eu acompanho-te.
¾ Tantas ideias brilhantes num só dia! Bora…
¾ Bora lá! Mais uma aventura!
De mãos entrelaçadas, troteando pelo jardim dirigiram-se ao agente. Cumprimentaram-no e seguiram em direcção ao cinema.
(Escrito a 13 de Abril)
¾ Desculpa ¾ respondeu Ana, aproximando-se para beijar o namorado.
¾ Sempre atrasada. Estou a pensar oferecer-te um relógio com alarme programável à distância.
¾ Que ideia brilhante!
¾ Assim posso programá-lo ¾ ironiza.
¾ Aproveita e coloca também GPS e videovigilância…
¾ Com ligação directa ao youtube. ¾ interrompeu João.
¾ Tudo isto para haver controlo? Ou será ciúme?
¾ Humm…
¾ Como devo interpretar essa não resposta? ¾ retomou ela.
¾ Talvez ciúme por não poder estar contigo mais tempo ¾ disse enquanto a olhava e a acotovelou carinhosamente.
¾ Ai! Primeiro controlo e ciúme, agora violência? ¾ comentou arregalando os olhos para o intimidar.
¾ Olha! Está ali um polícia, queres ir apresentar queixa? Vamos lá, eu acompanho-te.
¾ Tantas ideias brilhantes num só dia! Bora…
¾ Bora lá! Mais uma aventura!
De mãos entrelaçadas, troteando pelo jardim dirigiram-se ao agente. Cumprimentaram-no e seguiram em direcção ao cinema.
(Escrito a 13 de Abril)
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Já ca estamos outra vez!
Dito de outra forma: gira o disco e toca (quase) o mesmo.
Exactamente: quase!
Sim, porque não é bem a mesma coisa.
Os tempo passa. Os meses repetem-se, 12 meses depois estamos de novo no mesmo mês e, quase, no mesmo dia, talvez até no mesmo local.
Quase em Maio, já a maior parte das Academias do país se dedicam a viver e beber até ao fim da queima das fitas. São estas épocas que, uns recordam, outros revivem e outros vivem pela primeira vez. São estas épocas que integram alguns dos mais importantes rituais de transição. Para outros, mesmo superados esses rituais, todos os anos os vivem de forma diferente e reescrevem as histórias. Sim, reescrevem. Felizmente! Nada acontece duas vezes exactamente da mesma forma.
Mais um passo em frente neste jogo de "macaquinho do chinês", onde todos desejam aproximar-se dos objectivos, muitas vezes, os mesmos objectivos. A estratégia pode diferir. Uns são sorrateiros e discretos, caminhando pé ante pé enquanto outros correm, voam e fazem ruídos que velozmente os levam.... onde quer que seja.
Também este ano, lá estaremos. Umas vezes, seja por caminhos discretos seja por atalhos indiscretos.
Já cá estamos outra vez!
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Traço de um personagem
Naquela viagem visita locais que fizeram parte da sua história e simultaneamente para o passeio e projecto seguinte. pesquisa, informa-se, planeia, cria cenários. Em aberto permanece espaço para a exploração e curiosidade apenas preenchidos in loco. Aí, abre a caixa de experiências, cruza memórias, preenche os vazios com toda a informação, pormenores que observa, escuta, tacteia, inala e partilha. Mais uma peça do puzzle se encaixa e cuidadosamente acomoda na colecação de memórias, emergindo no horizonte ideias para conseguir encontrar a peça seguinte desta colecção.
(Escrito em 6 de Abril de 2011)
Um dia solarengo
Naquele domingo, num banco de jardim, um senhor de meia idade, aparentemente solitário, folheava tranquilamente o jornal. Finda esta tarefa, levanta o olhar, olha em volta e, sem tecer quaisquer comentários, abre o saco que repousava à sua direita para nele colocar o jornal. Tudo indicaria que este se aprumava para deixar vago o lugar de jardim, naquela sombra tão cobiçada. Em vez disso, tira agora uma revista, daquelas que acompanha os jornais domingueiros que fala de tudo e está repeleto de imagens e publicidade. Mantendo a tranquilidade, folhea as páginas, delicia-se com os títulos e com a publicidade à lingerie da moda.
Uns metros à frente, um bando de crianças corre pelos jardins. Qual passarinhos, qual quê?, pareciam aves de rapina, saídas naquele preciso momento do mais longo período de hibernação. Corriam e saltavam, desejavando absorver toda a energia que um peçado de relva verde irradia. Aquele jardim monocromático, em tons de verde e castanho, apenas era animado pelos tons joviais dos que por lá passavam, uns de t-shirt branca, outros de preto, com camisas vermelhas e amarelas desabotoadas ou casacos azuis de mangas arregaçadas.
Para completar o cenário, os pais de trajo domingueiro e as mães de salto alto à altura, estravazavam as histerias até então camufladas, soltando esguinchos e gritos imperceptíveis aos ouvidos das suas crianças. A determinada altura o cenário era em tudo semelhante a um campo de futebol. Os pais, meticulosos observadores, vociferavam de ponta a ponta na esperança de que as crianças, ocupadas com coisas certamente mais interessantes, lhes dessem ouvidos e adequassem os seus gestos e movimentos para que não se magoassem. As crianças, jogavam e passeavam-se em movimentos aparentemente descoordenados, procurando cumprir com os objectivos dos seus jogos improvisados. O leitor de jornal, espectador deste jogo, que percebe já nada mais perceber desta organização actual, dos objectivos e das regras deste futebol, opta por se remeter ao silêncio e desfrutar dos ruídos do espaço e dos protagonistas do desafio. Os ruídos do rio, água viva e fluída, aplude toda a dinâmica exterior à própria natureza como se dela se apropriasse, tecendo ovações aos utilizadores daqueles jardins.
Uma noite de insónia
O último olhar para o espelho de luzes intensas e claras, o perfume do quarto, o toque naquele vestido branco-luz que ilumina a porta que se abria.
Repousa a cabeça sobre a almofada e o corpo sobre a cama. Sacode o corpo em busca de tranquilidade e descontracção. O pensamento vagueia, avança e recua pela infância, amores e desamores, o encontro, o beijo, o pedido.
Sacode de novo o corpo e, autoritária, ordena: "descontrai, vai correr tudo bem, vou ser feliz!".
O tic-tac do relógio lentifica-se, o pensamento é como a luz e o som em competição.
Repousa, descansa. - pensa.
Olha de novo para as horas. Passaram trinta segundos desde o último olhar.
Acendeu-se o telemóvel que descansava em cima da cómoda.
Quem será? - pensa. Será que desistiu?
O coração parece um leopardo em defesa da cria, capaz de correr perigos e superar inseguranças.
Era aquela amiga de infância a desejar felicidades.
Felicidades? - pensa. Quem disse que vou ser feliz? Porque não?
Admira pela centésima vez o quarto, os objectos, abre a porta do WC dirigindo-se ao lavatório para enxugar o rosto e lavar as mãos que estavam mais molhadas que qualquer rio.
Toma um duche enquanto pensa: "isso passa".
Ainda falta uma hora para o galo acordar.
(Escrito em 23 de março de 2011)
A azáfama de Eva
Mais um dia entre reuniões e papéis, sistematicamente interrompida pelo trim do telefone e pelo toc toc da porta.
- Eva, aquele e-mail?
- Eva, uma chamada.
- Eva, aquele documento?
- Eva, ...
- Eva, ...
Solicitada por todos, Eva tinha a resposta que todos procuravam, conseguia organizar-se naquele constante corre-corre.
Ainda assim, calmamente, folheava os documentos em busca da resposta à nova solicitação. Enfrentava aquela colega, uma vez mais, com um sorriso acolhedor e tranquilizador na certeza de que, uma vez mais, a poderia ajudar.
Era mais um dia em que chegaria a casa e teria que mergulhar nos assuntos importantes da sua profissão, prioridade da sua vida.
(Escrito a 15 de Março de 2011)
A primeira viagem
Pude por um dia conduzir aquele carro bordeaux enorme. Sentei-me ao volante, olhei em volta para ler o mapa do carro e a bússula que me iria orientar.
Tudo estava no devido lugar: o volante, as mudanças, o banco, o rádio. Até o perfume que pairava no ar se tornava especial.
Num olhar súbito, constatei que não havia pedais. Uauuu.... o carro era automático. Desejosa de fazer aquele passeio com o meu avô, assim que fechamos as portas o carro começou a trabalhar. Curiosa pela condução e preocupada por transportar outra pessoa, decidi colocar os pés no volante. A condução era alternada: ora com as mãos ora com os pés no volante.
Experimentar a condução absorvia toda a atenção tal como a primeira vez que manuseei um tubo de ensaio para realizar uma experiência nas aulas ciências.
O Olhar do meu avô, as suas mãos pousadas sobre os joelhos, o sorriso eram tranquilizadores levando-me a pensar que tudo estava bem.
O silêncio que tocava no rádio e o perfume que pairava no ar fizeram-me desfrutar do momento.
No final da viagem, já em casa, partilhamos a experiência. Só aí percebi que esta viagem também fora especial para o meu avô.
(Escrito a 2 de Março de 2011)
Primavera
Naquele momento tudo parecia sombrio, as dúvidas eram muitas, o futuro longínquo, o apoio percebido era mínimo. O desejo de vencer na vida uma vezes era gigante e noutras alturas parecia esconder-se num local inacessível tornando-se imperceptível.
O gigante era motor de lutas, de esforços e conquistas bem sucedidas com aquele exército paralelamente alinhado capaz de intimidar quem se aproximasse. O sorriso, a alegria, a vontade de viver transbordavam, qualquer tarefa era de fácil execução. O desejo de desenhar planos futuros aumentava. Em sonhos acordados inaginava-se o palácio e a vida sem dificuldades, olhando-se apenas para a flor firme da rosa.
Os espinhos do caule da rosa também faziam parte do dia-a-dia adolescente. O maior espinho condicionou todo o percurso crescente do caule da rosa. As marcas que deixou são irreparáveis. Ainda assim, o caule encontrou caminhos alternativos e em primaveras menos iluminadas também a rosa abriu.
Hoje, abrem-se as memórias. Permanecem dúvidas e questões em relação ao passado, ao presente e ao futuro. Reconhece-se que se muda, não sabemos se para melhor. Sabemos que reconhecer isso é já indicador de aprendizagem, maturidade. Valoriza-se agora o que sempre nos ensinaram sem que se anulem os sonhos pessoais. Somos fortes para crescer nas dificuldades, na certeza de que as amizades que se perpetuam no tempo continuam a ser a água e a luz essenciais para o despertar de todas as primaveras.
Também hoje se fez primavera. Percebe-se que a missão foi cumprida, mas muito há ainda a fazer. Manter a promessa feita, de que a amizade é intemporal e residente em todas as estações do ano.
Para a Bruna
Postais Ilustrados
Através do link (http://www.prof2000.pt/users/avcultur/postais/Postais_ilustrados.htm ) podem visitar-se muitas cidades.
Boa viagem!
Boa viagem!
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